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Com licença, tô de TPA

Faltando poucos dias pro meu aniversário, canceriana até a medula (lua em câncer, inclusive) entro em estado de fluidez total e o máximo que vai sair de mim essa semana é isso: uma queda d’água de 30 metros ou, se preferir o sal, uma onda gigante de 30 metros que é pra surfista nenhum botar defeito. (menino do Rio…. calor que provoca arrepio…. ai ui!)

Fato é que tenho chorado excessivamente de saudade das minhas filhas e da minha neta. Esse distanciamento social imposto (não sou contra, pelamordedeos, não me entenda mal), me tira do eixo por que não se trata de querer ou não estar com alguém; trata-se de não poder. Não sei você, mas eu tenho sentido na pele, no sangue, nos ossos, no estômago, no coração, na cabeça a falta que me faz abraçar essas meninas. Estar com elas. Ficar em silêncio com elas. Ver um filme, comer pipoca, passear, tomar sorvete, ir a um lugar bonito pra ver o pôr do sol. Esse monte de coisinhas que a gente faz(ia) e nem se dá(va) conta de quanto é(ra) importante. Enfim. Sinto muito, por favor me perdoe, sou grata, eu te amo, mas estou mesmo de TPA – tensão pré aniversário.

Não estou esperando nada, como aconteceu no dia das mães, segundo domingo de maio, no qual fiquei achando que pudesse receber umas flores, um livro, uns bombons, um bilhete. Ser mãe e ser canceriana é avassalador. E olha que já aprendi a não gerar expectativas demasiadas depois de tantos anos morando longe delas, nos vendo em natais esporádicos e carnavais eventuais. Ocorre que estou entrando na envelhescência e meio que emburro num canto quando não entendo por que a vida é assim. Passa logo. Às vezes não muito logo. Só sei que não sei onde arrumo tanta lágrima pra derramar. E ninguém sabe chorar tão dramaticamente quanto uma canceriana, de preferência escondida. Sou daquelas que sente o gosto salgado da gota na boca, deixa que escorra pelo pescoço e vá parar no umbigo. Ou, se estou deitada, minhas orelhas viram um poço. E não enxugo. Deixo o tempo secar.

Mas de repente, recebo uma chamada de vídeo de uma delas e – plim – a distância se desfaz. Estamos juntas a um toque de tela e era aqui que eu queria chegar: viva a internet!!! viva a tecnologia!!! Imagina o que seria de mim, o que seria de nós, não fosse a rede mundial de computadores interligados, nesse ano e meio de pandemia? Nem poderia estar aqui chorando no ombro de vocês, sem a menor cerimônia. Sinto muito. Por favor, me perdoe. Sou grata. Eu te amo.

Semana passada comentei da minha rotina aqui no trabalho. Você leu, né verdade? Deixei um monte de pepinos pra Isa descascar. (hehehe) Mas o quê a Lana faz depois que o expediente se encerra? Então! Vou te contar. Chego em casa e, esfregando os pés no pano com água sanitária, meu olhar vai direto pro roteador. Todas as luzinhas estão verdes! Amém! Concorde comigo: que tristeza quando tem uma delas piscando em vermelho… Não dá vontade de chorar? Eu choro! Mas quando tá tudo verde, sinal aberto, vou pro banho mais tranqüila, faço meu chá na cafeteira (sim, serve pra isso também aquela engenhoca bonitinha e barulhenta!), ajeito meu ninho e ligo o notebook pra dar uma checada nos emails, no facebook, no instagam, na netflix (tô vendo a série Startup – sinistra! cada vez mais me convenço de que estamos sendo vigiados o tempo todo. e não apenas e tão somente pelos et’s. ui!). Pra ficar mais fácil de ver tudoaomesmotempoagora, abro também o whatsapp . O cabo de energia do note anda meio preguicento e, pra preservar a vida útil do bichinho, desligo a máquina enquanto ele se recupera. Eu sou uma pessoa bacaninha.
Faço a meditação com o japa Tadashi pelo youtube, no celular e, consciente do aqui e agora, com atenção plena no momento, vou me acalmando e dizendo pro espinho espetado no peito: “sai daí que esse corpo não te pertence”. Sinto muito. Por favor, me perdoe. Sou grata. Eu te amo.

A essa altura já tomei meu santo chá pra acalmar as bichas todas e … dormir? Nada! Vou escrever o post pro blog, que tem de estar pronto ainda hoje, pra passar pelo crivo de Isa antes de ir ao ar. Vocês viram que ela falou sobre a tal da nuvem na terça, né? Os demais quesitos levantados por esta que vos escreve deverão ser dissecados nas próximas semanas. Portanto, se liga aí que terça é dia de fogo no parquinho do blog. Quinta é dia de recreio. Amém! Bem tô precisada de mais leveza. A vida tá mesmo de lascar. Veja bem. Não tô reclamando. Só me permitindo chorar. Por que eu sinto muito. Sou infinitamente grata. Eu te amo demais da conta. Por isso e por todo o resto, me perdoe!

Obs.: Só pra deixar registrado por que sou a louca das datas e da contagem do tempo:
15/07/21 – 3 anos de Búzios, 1 ano e meio sem ver Luiza (a mais velha), 9 meses e 16 dias sem ver Giovana (a caçula) e Nalu (a filha da caçula, minha neta).

Obs2.: Você concorda que o tempo está voando mais do que o normal? Embora o mundo esteja, aparentemente, em ponto morto? William, o Shakespeare, tava muito certo quando disse que “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”. Se na época dele já se suspeitava disso, imagina agora, com esse emaranhado de frequências, vibrações, emissões, conexões, via cabos de rede e pensamentos?!?

Obs3.: Também é dele a frase: “Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente”.
Para bom entendedor, meia lágrima basta. Com licença, tô de TPA.

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