O Artista

Carioca, nascido em 18 de março de 1973, desde pequeno já apreciava trabalhos manuais. Na escola, era um mestre na arte de recortar, colar, pintar, reconstruir graficamente a realidade com base na sua peculiar perspectiva do cotidiano. Começou a trabalhar aos 13 anos, como sapateiro, em uma rua tranquila de Vila Isabel, para contribuir com o orçamento familiar. Aprendeu rápido o ofício com o pai, de quem herdou o negócio mais tarde. O jovem cresceu e fez de suas criativas mãos a ferramenta do conhecimento tridimensional, através dos desafios da milenar técnica de artesão sapateiro. Mas aquela semente da infância, um dia, iria render bons frutos, e ele começou a se interessar pelas artes plásticas.

Devido às dificuldades que a vida lhe impôs, com o passar do tempo, ele precisou colocar as práticas artísticas em segundo plano. Ao mesmo tempo, o olhar e o desejo continuavam cada vez mais fortes: “Qualquer coisa que me chamasse a atenção, fosse um quadro com uma pintura, uma escultura, um ferro retorcido na rua, eu imaginava que algum dia estaria trabalhando com arte. Mas, sou, também, um sapateiro”.

Embora não tenha passado por ateliers famosos ou pelas mãos de grandes mestres, Marcelo Gomes passou a dedicar a parte do tempo que lhe sobrava aos estudos, sempre visando aprimorar seus conhecimentos. Fez cursos de Design e Programação Visual, Quadrinhos e Fotografia, no Senai. Com um ateliê em sua casa, começou a criar esculturas e painéis. A ideia era harmonizar a natureza empírica e ousada no jogo das formas, resultado que viria a ser observado em um conjunto de obras ecléticas, desenvolvidas com diversos materiais reaproveitáveis pelo artista. Vergalhões, cimento, madeira, concreto, mármore e argila, entre muitos outros. Aos poucos, seus trabalhos passaram a apresentar uma plástica de intensa vibração sensorial e lúdica, tanto na sensibilidade do manuseio dos materiais incorporados, quanto nas suas possibilidades de transformação.

Entre as principais influências de Marcelo Gomes, estão os artistas Henry Moore, Sônia Ebling, Victor Brecheret, Yutaka Toyota, Amilcar de Castro, Bruno Giorgi, Alberto Giacometti, Tomei Ohtake, Jackson Pollock, Salvador Dali e Pablo Picasso.

Primeiras Exposições

Marcelo Gomes foi descoberto como artista por uma cliente, ao visitar sua oficina. Jornalista da TV Record, ela se encantou com as esculturas que ficavam no balcão para harmonizar o ambiente, e retornou com uma equipe de televisão, uma semana depois, para fazer uma matéria.

Sua primeira exposição individual, “Afetos”, aconteceu em 2012, no Sesc Engenho de Dentro, aos 42 anos. Telas, esculturas e instalações, ricas em criatividade e conceito, atraíram um grande público. Pedra, resina, papelão, porta de armário, livros descartados, pipas, gaze farmacêutica, lata de argamassa e um sem-número de objetos encontrados na rua estavam entre os materiais usados na confecção das obras. Tudo isso representava a visão do artista sobre as coisas do dia a dia e, em especial, o afeto, que batizou a mostra. Com formas humanas femininas, por exemplo, procurou representar sua esposa, como uma mulher guerreira e que lhe apoia frente aos desafios da vida. Com as pipas, dava vazão às mais prazerosas e longínquas lembranças do pai, que lhe ajudou a construir e elevar o brinquedo. A profusão de cores e formatos geométricos significava a representação exterior de uma mente inquieta, com as inúmeras possibilidades de interpretação das imagens cotidianas.

Em 2013, realizou a segunda exposição individual, “Percepção do Olhar”, na Galeria Gustavo Schnoor, no Centro Cultural da UERJ. Desta vez, a proposta do trabalho de Marcelo Gomes era apresentar uma realidade de objetos reconhecíveis no cotidiano das pessoas, como pipas e piões, reproduzidos em materiais incomuns, como cimento, madeira, vidros e vergalhões.

“Marcelo Gomes: uma maneira singular de olhar o mundo” foi a terceira individual do artista. Exibida em 2014, no Espaço Cultural do Colégio Pedro II – Unidade São Cristóvao, a exposição incluiu esculturas e painéis. Mais uma vez, ele buscava inspiração em temas do dia a dia para desenvolver suas obras.

Além destas, Marcelo Gomes participou de exposições no Centro de Artes Calouste Gulbenkian (coletivas, 2014 e 2016), novamente no Sesc Engenho de Dentro (2015), e no 4º Salão de Artes Visuais de Niterói, realizado no Instituto Cultural Germânico e na Aliança Francesa (2016), no jardim flamboyants do Espaco Cultural do Colegio Pedro II – Unidade Sao Cristóvão (2017).

Formação

  • Téc. Programação visual – Senai Artes Gráficas
  • Design Gráfico, Fotografia p/b, Modelo Vivo e Natureza Morta – Senai Artes Gráficas
  • Antiformas de Intervenção – Parque Lage
  • Escultura – Centro de Artes Calouste Gulbenkian
  • Faculdade de Design de Produtos – até o 5º período

Esculturas

Transformando cimento, concreto, madeira, vidro e metal em arte.

Marcelo na Mídia

Por diversas vezes Marcelo Gomes foi alvo de reportagens. Veja a seguir as principais notícias a respeito do seu trabalho..

Sesc RJ
07/07/2015

Sapateiro e artista plástico Marcelo Gomes expõe obras no Sesc Engenho de Dentro.

CPII | Colégio Pedro II
17/10/2014

Espaço Cultural recebe exposição de Marcelo Gomes.

JB | Jornal do Brasil
14/04/2013

Uerj apresenta a exposição “Percepção do olhar”.

R7 | Hoje Em Dia
31/08/2011
R7 | Portal de Notícias
20/08/2011

Sapateiro de Vila Isabel luta para ser reconhecido como artista plástico.